Dia Mundial do Rock

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Pra quem não sabe, hoje (13/07) é o Dia Mundial do Rock, e como apaixonada por esse gênero musical de grande sucesso ao longo de suas várias décadas de existência, não poderia deixar essa data passar batida, não é mesmo?

A própria história do rock, sua adaptabilidade e evolução junto à mentalidade humana, especificamente no que se refere ao público jovem nos mostra o seu sucesso, de modo que, nada melhor do que ver supeficialmente essa cronologia marcante e alguns dos seus grandes nomes.

Fazendo um retrospecto, o rock começou nos Estados Unidos, mais especificamente no sul do país, com o escravo negro que incorporou na sociedade norte-americana a sua musicalidade. No início dos anos 50, a sonoridade desse povo sofrido e marginalizado nas grandes fazendas sulistas nos Estados Unidos já fazia parte desse estilo musical nascente, que também abrangia o ritmo europeu, fusão essa que se prestou para o nascedouro do « blues ».

Característica marcante do rock é o som das guitarras elétricas, e naquela época, as letras simples e o ritmo dançante nos introduziram ao « rhythm and blues », vertente negra do gênero que imediatamente caiu no gosto popular ao aparecer pela primeira vez num programa de rádio em Ohio, nos idos do ano de 1951, trazendo as origens corpóreas do rock.

Nos anos 50, o rock desfila seus primeiros grandes  passos para maior aceitação popular. Os jovens se identificam com o gênero e o estilo rebelde dos cantores e bandas. « Bill Halley » lança « Shake, Rattle and Roll » em 1954, e faz a moçada ir ao delírio, tornando astros de cinema como James Dean e Natalie Wood, de « Juventude Transviada » (1955), tornarem-se símbolos de uma geração abençoada pelo amor, pela violência e pela autodestruição apregados pelo rock. Outros nomes aparecem para igualmente se tornarem lendas do estilo, como Chuck Berry, com seu « Johnny B. Godde », Little Richard, Buddy Holly e Jerry Lee Lewis.

Mas é no ano seguinte que o rock tem a sua grande virada quando o « Rei do Rock » surge. Ele mesmo. Elvis Presley. A vibração negra, a voz rouca, a sexualidade transparente e o som pesado o tornaram um astro, e inspiraram jovens do mundo inteiro, e o « rock’n'roll » surge como um movimento de contracultura na qual os pais se desesperam ao ver aquele jovem balançar freneticamente sua pélvis em imagens transmitidas nos aparelhos televisores do mundo todo.

Valendo-se de diversos ritmos como a « country music » e o « rhythm and blues », Elvis se tornou o astro máximo do rock, alcançando vendas extraordinárias com o álbum « Heartbreaker Hotel », em 1956. Tão importante como símbolo do « rock’n'roll », Elvis Presley foi o artista que solidificou o gênero como um estilo de música popular. Mas para sua época, será sempre sinônimo de rebeldia, sexualidade e energia.

No final dos anos 50, o « rock’n'roll » já era produto cultural, e não mais marginalizado pelos conservadores que o consideravam maldito. Tornou-se então parte dos valores sociais, e principalmente, das grandes vendas.

Foi então que, em meados de 1960, surgiu Bob Dylan, muitas vezes comparado ao personagem desajustado do livro de J.D. Salinger, « O Apanhador nos Campos de Centeio ». Tem-se o início de um novo modelo de rock: « a canção protesto ». Seguindo essa linha, surge o movimento « hippie », e com ele, o pacifismo, o amor livre e as « viagens » de LSD. São os chamados « Anos Rebeldes ».

Enquanto isso, na Europa, surge a banda de maior sucesso de todos os tempos: « The Beatles ». Os quatro jovens aparentemente bem comportados de Liverpool estouram nas paradas e alcançam o mundo novo em 1962 com o hit « Love me do ». Tem início então a « beatlemania ».

Paralelamente, outro grupo britânico começa a fazer sucesso: « The Rolling Stones », que ao contrário de « The Beatles », estava sempre envolvido em escândalos, não tinha um visual nada comportado, e trouxe novamente à tona a assertiva de que sexo, drogas e rock’n'roll não vivem separados.

É em 1969, ainda, que acontece o « Festival de Woodstock », fazenda ao norte de NY, onde se tem o símbolo máximo deste período. Sob o lema « Paz e Amor », mais de meio milhão de pessoas compareceram no concerto que contou com a presença de nomes como os de Jimi Hendrix e sua guitarra frenética, Janis Joplin, Joe Cocker, e muitos outros.

Não menos importante, foi o surgimento do « The Doors » alguns anos antes, em 1967, que apesar da vida curta, foi marcante. Jim Morrison, vocalista da banda, não apenas era um grande compositor como intérprete, e incorporava sensualidade no palco, de modo que músicas como « The End » e « Light my Fire », que compõem a trilha sonora de um clássico dos filmes de guerra,  « Apocalypse Now », de Francis Ford Coppola, tornaram-se hinos de uma época.

Nos anos 70, bandas como « The Mamas & The Papas », « The Who », « Jefferson Airplane » e « Pink Floyd », ainda reminescência do rock progressivo, embalado pela música clássica e pelas inovações tecnológicas, já eram sucesso no mundo inteiro, e o rock ganha um visual muito mais popular e massivo, com o surgimento do videoclipe.

Embora a batida dançante passasse a tomar conta das pistas de dança no mundo todo ao som, por exemplo, dos Bee Gees, consagrando o estilo com filmes como « Saturday Night Fever » na chamada era da « dance music », que despontou também com sucessos de Frank Zappa, « Creedence Clearwater », Neil Young, Elton John, Brian Ferry e David Bowie, surge o « heavy-metal » com « Led Zeppelin », « AC/DC », « Iron Maiden », « Black Sabbath » e « Deep Purple », movimento que quebrou as sequencias do estilo « The Beatles », e onde a regra era tocar muito alto e fazer performances inigualáveis nos palcos.

« Black Sabbath » foi a primeira banda de rock a associar o gênero musical a imagens de « morte, demônios e ocultismo ». Mas a banda que efetivamente comandou no quesito sonoridade do rock nessa época foi « Led Zeppelin », maior representante da vertente « sexo, drogas e rock’n'roll » nos loucos anos 70.

Nos anos 80, década de « um pouco de tudo em cada coisa », David Bowie se consolida com seu estilo camaleão, e surgem nomes como os de Alice Cooper e da banda « Kiss », que ditam a nova regra, qual seja, apresentações dignas de estrondosos shows de circo nos palcos, não necessariamente no caso de Cooper, que mais estava para freak, eis que parecia muito mais interessado em repudiar e chocar o público do que qualquer outra coisa. Mas, em regra, seus shows também eram fenomenais.

« Judas Priest » ganha espaço no cenário europeu mesclando visual extravagante com sonoridade pesada, mas é « Queen », na voz de Fred Mercury com o seu « Bohemian Rhapsody » de 1975, uma « ópera rock » de tirar o fôlego, que se tornou uma das maiores bandas da década. Era a época dos grandes concertos, como já se mencionou, e « Queen » não deixava a desejar.

O cenário musical dos anos 80 também inaugurou um novo estilo, o « punk rock », movimento representado por nomes como os « The Clash », « Sex Pistols », e não menos importante, « Ramones », considerada banda precursora da vertente, e uma das mais influentes da história do rock.

Nesses idos, com a popularização do rock, e que acabou se prestando inclusive para o nascedouro da música pop com diversos artistas que ainda hoje são aclamados pelo público, tivemos também o « glam metal », influenciado por vários artistas do « hard rock » e « heavy-metal », com bandas como « Skid Row » e « Bon Jovi » e « Guns n’Roses ».

Se os anos 80 foram a década da experiência, os anos 90 foram das grandes fusões musicais. Surgem as primeiras bandas de rock alternativo, influenciadas por fusões de ritmos diferentes e do sucesso, em nível mundial, do rap e do reggae. Bandas como « Red Hot Chili Peppers » e « Faith no More » fundem o « heavy metal » e o « funk », ganhando o gosto do público.

Em Seattle, surge o movimento « grunge », com « Nirvana », liderado por Kurt Cobain, maior representante deste novo estilo. « R.E.M. », « Pearl Jam » e « Alice In Chains » também fazem sucesso no cenário grunge deste período, e o cenário britânico ganha novas bandas como « Oasis », « Green Day » e « Supergrass ».

Já, no Brasil, o rock apareceu na voz de Celly Campello com seu « Banho de Lua » e « Estúpido Cupido » no começo da década de 60. E é nessa mesma época que surge a chamada « Jovem Guarda », com nomes como os de Roberto Carlos, Erasmo Carlos e Wanderléa. As letras românticas e o ritmo acelerado ganha o público e, em meados dos anos 70, entra em cena um dos nomes mas marcantes do rock brasileiro: Raul Seixas. Não menos importante, é a banda « Secos e Molhados ». Na década seguinte, temas mais urbanos e polêmicos ganham espaço com bandas como « Ultraje a Rigor », « Legião Urbana », « Titãs », « Barão Vermelho », « Kid Abelha », « Engenheiros do Hawaii », « Blitz » e « Os Paralamas do Sucesso ». E os anos 90 foram marcados pela sonoridade de « Raimundos », « Charlie Brown Jr. », « Jota Quest », « Pato Fu » e « Skank ».

Bom, disso tudo se conclui que, independente da vertente, o rock está presente em todo lugar, ditando tendências e estilos, e se você não gosta de pelo menos um dos movimentos acima citados, ou de um dos artistas ou bandas mencionados e que regraram e fizeram parte da história do rock desde a sua origem, então você definitivamente não tem motivo para comemorar a data de hoje, e talvez também não seja uma pessoa lá muito normal, não é mesmo? Associado a sexo,  transgressão, drogas, o que seja, o rock é, e sempre será, acima de tudo, sinônimo de liberdade.

Aos apaixonados pelo gênero, recomendo o documentário produzido pela BBC de Londres, « Seven Ages of Rock », que conta a história do rock ao longo dos seus cinquenta anos. Imperdível !

E para saber mais sobre os vários estilos do rock, basta clicar aqui.

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