Ano da França no Brasil

Ano da França no Brasil começa com queima de fogos na Lagoa Rodrigo de Freitas

Aos que não sabem, 2009 é considerado oficialmente como o Ano da França no Brasil, e tal como o ocorrido em 2005, que foi consagrado como ano da presença do Brasil na França, ocasião em que centenas de eventos musicais, literários e culturais foram promovidos pelo Ministério da Cultura no sentido de apresentar ao publico francês a diversidade artística do país tropical, temos agora a resposta do Ministério da Cultura francês, que promove nas principais capitais dos estados brasileiros uma ativa manifestação da tão estimada e admirada arte de Victor Hugo, Manet, Debussy, Rodin, Pasteur, Piaf, Sartre, e tantos outros mais, manifestações culturais essas preparadas desde agosto de 2007, com a chegada ao Brasil de Olivier Poivre d’Arvor, diretor da Cultures France, e com o investimento de mais de 15 milhões de euros, entre recursos públicos e privados, e a participação de grandes empresas como a Renault, a Air France e a PSA Peugeot Citroen.

Ressalte-se, que o amor pela cultura francesa no Brasil vem dos tempos coloniais, quando muito se incorporou pelos portugueses do estilo francês, em especial junto à elite intelectual abertamente francófila, que se estendeu até meados os anos 60, quando então a presença norte-americana se tornou avassaladora no estilo de vida dos brasileiros.

Foram quase cinco séculos de influência francesa sobre o Brasil em todas as áreas, desde artes plásticas até fotografia, literatura, filosofia, ideais políticos, arquitetura moderna e cinema. Ou seja, praticamente não houve arte, ciência ou conhecimento em que a cultura francesa não esteve presente entre nós.

Historicamente, temos a presença marcante dos ideais franceses em eventos consideravelmente importantes no Brasil, como a Inconfidência Mineira (1789), inequivocadamente inspirada nos princípios iluministas e da maçonaria francesa que atuava na região das Minas Gerais, e a Revolta dos Alfaiates (1789), que se tratou de uma conspiração baiana ocorrida em Salvador como uma reprodução dos acontecimentos revolucionários passados na França, inspirada por intelectuais pertencentes à Academia dos Renascidos, e de caráter emancipacionista, articulada por pequenos comerciantes e artesãos, destacando-se os alfaiates, além de soldados, religiosos, intelectuais, e setores populares. Não menos importante, é A Proclamação da República (1889), que se deu sob a égide da celebração do Centenário da Revolução francesa de 1789, com ideais republicanos fortemente embasados pelo pensamento filosófico de Auguste Conte, fornecendo inclusive o lema da bandeira nacional: Ordem e Progresso.

Mas foram nas artes que a cultura francesa mais se solidificou no Brasil, em especial:

  • na arquitetura, inaugurando por aqui o estilo neoclássico, e séculos mais tarde, o estilo moderno (com os projetos arquitetônicos do Ministério da Educação e Cultura do Rio de Janeiro e da Igreja da Pampulha em Belo Horizonte, por Oscar Niemeyer);
  • na fotografia, voltada à reprodução da natureza e eventos históricos;
  • no teatro, com a produção de peças inspiradas nos trabalhos de grandes escritores franceses, como Victor Hugo, Bouchardy, Dumas e Voltaire;
  • na literarura, com a influência das obras hugolianas no trabalho de grandes artistas que se destacaram no Brasil, como Castro Alves com seu “Navio Negreiro”, e no século XX, com o modernismo e o realismo, que influenciou fortemente os trabalhos dos brasileiros Mario e Oswald de Andrade, bem como Manuel Bandeira e Carlos Drummond de Andrade;
  • e no cinema, com a influência de cineastas como Jean Luc Godard, François Truffaut, Alain Resnais e tantos outros.

Não se pode deixar de mencionar o papel da França no Brasil quanto à incorporação da Maçonaria; do Espiritismo, com a fundação da Federação Espírita Brasileira (FEB), que assumiu a divulgação da obra de Allan Kardec; bem como do naturalismo; do positivismo no Brasil colônia; das novas políticas de urbanismo e higienização; e do existencialismo moderno de Jean Paul Sartre e Simone Beauvoir.

A França também teve grande influência na fundação, por Machado de Assis, da Academia Brasileira de Letras (1897), com regulamentos inspirados diretamente na Academia Francesa de Letras, esta última, localizada no Instituto de França, e fundada em 1635 pelo Cardeal de Richelieu, e cuja função é regular e aperfeiçoar a língua francesa.

Portanto, aos apaixonados pela cultura francesa, e mesmo aos que pouco sabem sobre a preponderância desta na cultura brasileira, os acontecimentos que devem marcar o Ano da França no Brasil são um prato cheio, não apenas para enriquecimento cultural propriamente dito, como também a título de curiosidade. Afinal, uma sociedade tão voltada para a incorporação em seu cotidiano dos ideais norte-americanos, descobrir um pouco mais sobre aquele que é um dos países mais ricos e cultos do mundo é uma tarefa mais do que obrigatória.

Os eventos do Ano da França no Brasil tiveram início no dia 21/04 e deverão prosseguir até o dia 15/11, com a realização de cerca de 300 exposições e manifestações culturais. O ministro da Cultura, Juca Ferreira, e a ministra da cultura e comunicação da França, Christine Albanel, disseram que a programação tem como objetivo « o aprofundamento do diálogo entre os dois países », e é fato que o acontecimento trará a reaproximação da França com o Brasil, economica e política.

Além das cidades do Rio de Janeiro, São Paulo e Salvador, outras 12 grandes capitais brasileiras são cenário para as manifestações culturais francesas (como Porto Alegre, Brasília, Belo Horizonte, Curitiba, Recife e Manaus), e para conferir a agenda de eventos, basta acessar os sites abaixo:

Ano da França no Brasil

Ano da França no Paraná

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