Diga NÃO ao Wonka !

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Navegando pela Internet numa tarde em que nada havia de interessante a se fazer… falemos sério, isso é piada. Eu estava mesmo procurando por uma matéria sobre o clássico de 1971, o filme musical estrelado por Gene Wilder, « Willy Wonka e a Fábrica de Chocolates ». De fato, eu estava intrigada com quais seriam as opiniões de quem assistiu a ambos os filmes, esse e o filme mais recente, dirigido por Tim Burton. Obviamente que não encontrei nada de interessante nesse sentido, pois as opiniões são deveras conflitantes. Certamente que há os que jamais viram a primeira versão da adaptação cinematográfica da obra de Roald Dahl e que só conferiram a recente versão de Burton por causa do ator Johnny Depp, assim como há os que não toleram essa refilmagem em prol do primeiro e muito mais bizarro filme, incluindo eu.

Enfim, não foi a diversidade de pontos de vista sobre ambos os filmes que me chamou a atenção, mas um artigo muitissimo interessante publicado no sítio « Overthinking It », e que faz uma breve análise, que pode ser conferida AQUI, do filme « Willy Wonka e a Fábrica de Chocolates » (1971).

Bom, já pelo título do artigo se tem uma ideia do que se trata… é uma análise do filme como mensagem antidrogas para a garotada da época, obviamente que não uma mensagem explícita.

Segundo o artigo, o filme de 1971 tem essa mensagem embutida através dos personagens, especificamente das cinco crianças que encontram os bilhetes dourados nas barras de chocolates distribuídas pela fábrica de doces Willy Wonka e que lhe dão direito a uma visita nas suas dependências, jamais antes abertas ao público.

Narrativa do filme à parte, o texto é claro e preciso ao mencionar que cada uma das cinco crianças representa uma droga, e seus efeitos a quem as consome.

Num primeiro momento, e em ordem cronológica aos eventos que sucedem com cada uma das crianças no filme, o autor do artigo cita o personagem Augustus Gloop, o alemãozinho comilão que não larga seu lanche nem quando responde às perguntas de um repórter sobre a emoção do garoto ao encontrar o bilhete dourado. De fato, o garoto Gloop pouco de interessa pelo que o cerca… ele só está interessado em comer e comer.

Augustus é desleixado consigo mesmo. Quando entra no jardim de doces, ele fica alucinado, e é no rio de chocolate ao leite que encontra seu destino. Ele cai, e é sugado por um tubo.

Segundo o texto, Gloop representa a maconha. Isso porque ele é relaxado e desatento, come sem parar e demonstra os efeitos de seu consumo, e poderia muito bem também representar a preguiça, algumas características atinentes aos usuários dessa droga.

Violet Beauregard, por seu turno, é a segunda criança a ter um destino desastroso durante a visita à fábrica de chocolates. Ela é elétrica, fala incessantemente, masca compulsivamente suas gomas e, ao contrário de Gloop, ela parece consumir mas não mostrar que consome tanto.

Segundo o texto, Violet representa as pípulas de emagrecimento (isso porque na época ainda não existiam as « anfetaminas »). Prova disso é que, mesmo advertida, ela toma uma goma de uma refeição e masca. Ela descreve com euforia a refeição que não está tendo, e quando chega na parte da sobremesa é que acontece o desastre… ela fica azul e começa a inflar após experimentar cada item da suposta refeição que deveria saciá-la.

Talvez a personagem mais insurportável, Veruca Salt é a terceira criança a encontrar seu destino na fábrica de chocolates de Willy Wonka. Ela é mimada, paranóica e incontrolável. Como se não bastasse, ela quer tudo, e faz com que as pessoas se submetam a ela.

Assim, de acordo com o texto, Veruca representa a cocaína, e sua visita à fábrica acaba justo no momento em que ela descobre que não pode ter um dos ovos de ouro, o que a faz gritar incessantemente que ela quer porque quer.

Mike Teevee é a quarta e penúltima criança. Ele vive num mundo só seu, no mundo da televisão, dos westerns, totalmente fora da realidade e daquilo que o cerca.

Segundo o autor do artigo, Mike representa os alucinógenos, em especial, o LSD, porque sua percepção acerca da realidade é completamente diferente. Ele é inconsequente, assim como as três primeiras crianças, e alheio aos perigos reais.

Por fim, a quinta e última criança… Charlie Bucket !

No decorrer do filme, ele é a criança exemplar. Mas o garoto comete uma transgressão: ele toma escondido de Wonka um refrigerante em fase experimental, mesmo advertido a não fazê-lo.

De acordo com o texto, Charlie represente o álcool. O motivo é simples:  a ideia de tomar o refrigerante nem mesmo foi dele, mas do vovô Joe, que enleva a premissa de que o alcoolismo é uma doença hereditária, ou seja, passada de geração a geração. Aliás, quando Charlie e vovô Joe começam a levitar como efeito do consumo da bebida, este diz àquele para observá-lo e fazer igual. Outro fator, ainda, é que se tratou de uma bebida.

Para finalizar, de acordo com o texto, a ideia do filme « Willy Wonka e a Fábrica de Chocolates » teria sido condenar as chamadas « drogas pesadas » da época, ou seja, a marijuana, os remédios emagrecedores, a cocaína e os alucinógenos, e que o álcool, apesar de um vício que deve ser combatido (eis que, inclusive, condenada por Wonka a transgressão de Charlie na fábrica ao final), não chega a ser algo muito grave. Afinal de contas, Charlie e vovô Joe apenas e tão somente dividiram uma bebidinha.

Interessante, não?

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Morre John Hughes, cineasta símbolo dos anos 80

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Conhecido por explorar de forma bastante agradável e realista o universo adolescente nas telas de cinema nos idos dos anos oitenta o diretor, roteirista e produtor estadunidense John Hughes morreu hoje, aos 59 anos de idade, de ataque do coração quando fazia uma corrida matinal em Manhattan, New York.

Hughes assina vários sucessos da década de oitenta, e não apenas de conhecimento do público acima dos trinta anos.

« Clube dos Cinco » é um deles, e para quem não lembra, é a famosa história do quinteto de garotos completamente diferentes que tem que passar uma manhã inteira de sábado na biblioteca do colégio em que estudam para comporem uma redação como forma de detenção. O filme lançou os nomes de Anthony Michael Hall, Molly Ringwald, Emilio Estevez, Ally Sheedy e Judd Nelson, astros e estrelas da época.

O bom nome de Hughes está aliado a muitos sucessos do gênero e da época, o que, desde logo, garante a « Clube dos Cinco » apenas um lugar a mais entre tantos dos seus êxitos.

Sua carreira começou em 1984, como escritor e diretor de « Sixteen Candles », por aqui conhecido como « Gatinhas e Gatões », filme que tratava das aventuras de um aglomerado de adolescentes, suas festas e suas primeiras experiências amorosas, tendo como o centro das atenções, a personagem de Molly Ringwald (de « O Rei da Paquera » e « A Garota de Rosa Shocking », de Howard Deutch, também escrito e produzido por Hughes) que, às vésperas de completar dezesseis anos, sofre atribuladamente por um amor não correspondido.

Seguiu-se, então, com a fantasia ao estilo « Frankenstein » sobre dois simpáticos amigos, Gary e Wyatt (Anthony Michael Hall e Ilan Mitchell-Smith), que se aventuram na criação de uma mulher perfeita (Kelly LeBrock, de « A Dama de Vermelho ») para que possam conquistar outras garotas no colégio e se sobressair sobre os seus implacáveis perseguidores. O filme, conhecido da grande maioria, era « Weird Science », e revelou Robert Downey Jr. (« Tuff Turf » e « Abaixo de Zero »).

Hughes também produziu o hilário « Dutch », uma comédia de humor negro sobre um garoto (Ethan Embry) que estuda num colégio para meninos e que praticamente tem que atravessar todo o país numa inusitada e forçada viagem ao lado do inconveniente futuro padrasto: Dutch (Ed O’Neil). « Uncle Buck » segue no mesmo estilo, e tinha John Candy como o tio desajeitado e inoportuno que, em razão de um contratempo, precisava tomar conta dos três sobrinhos que não conhecia bem (entre os quais, ainda estreante, Macaulay Culkin, que mais tarde ficou famoso por « Esqueceram de Mim 1 e 2 », ambos escritos por Hughes e dirigidos por Chris Columbus).

Por fim, mas não menos importante, tiveram as incríveis aventuras do adolescente Ferris Bueller (Matthew Broderick) e seus amigos (Mia Sara e Alan Ruck) que, de forma bem simpática, passa uma boa mensagem, no sentido de que a juventude passa depressa demais e que se deve aproveitá-la ao máximo, em « Ferris Buller’s Day Off », por aqui, « Curtindo a Vida Adoidado ».

Outros grandes sucessos de Hughes foram « Antes Só do que Mal Acompanhado », com Steve Martin e John Candy; « Ela vai ter um Bebê », com Kevin Bacon e Elizabeth McGovern; e « Curly Sue », com James Belushi e Kelly Lynch.

A maioria dos seus filmes é ambientada na cidade de Chicago.

O último trabalho de Hughes para o cinema foi « Drillbit Taylor ».

Se John Hughes curtiu a vida adoidado, se sua adolescência foi grande referencial para seus filmes, isso já não sabemos, mas ao menos o diretor, roteirista e produtor deixou um grande legado. Seus filmes não apenas são agradabalissimos mesmo assistidos depois de muito tempo, como também marcaram uma geração inteira e, certamente, marcará as futuras.

Há 40 anos, o homem pisou na Lua

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Em que pese a vasta quantidade de ensaios, artigos e mesmo livros que existem por ai, amplamente difundidos pelo maior veículo de comunicação atual que é a Internet, e que desmentem a ida do homem à lua, queira ou não, hoje (20/07) é o aniversário de 40 anos desse marco na história da humanidade (e, para alguns, a maior mentira do século).

Em 20 de julho de 1969, o astronauta estadunidense Neil Armstrong, então com 38 anos de idade, fincou o pé em solo lunar, exatamente às 23 horas, 56 minutos e 20 segundos (horário de Brasília), e entrou para a história como o primeiro homem a avistar a Terra de lá, eternizando a frase: « É um pequeno passo para um homem, mas um gigantesco salto para a Humanidade ».

À bordo da nave Apolo 11, Armstrong pilotou o módulo lunar com o colega de equipe Edwin « Buzz » Aldrin, e por quase duas horas, os dois coletaram amostras do solo, fizeram experimentos e tiraram fotografias, enquanto o terceiro astronauta integrante da missão, Michael Collins, permaneceu em outro módulo em órbita lunar.

Bom, quero antes de dar início ao relato dos eventos que antecederam  a missão do dia 20 de julho de 1969, esclarecer que não vou adentrar no mérito das teorias que desmentem a ida do homem à lua, seja porque não me interessa o que pensam aqueles que desacreditam tal evento, seja porque não tenho motivos para duvidar de que o homem efetivamente pisou em solo lunar há 40 anos. O objetivo dos meus comentários a seguir é o de meramente se prestar como informativo, algo alcançado unicamente mediante pesquisa junto a relatos históricos e material oficial.

Bom, vamos lá.

Tudo efetivamente começou em meados dos anos 50, quando teve início a chamada « Corrida Espacial », considerada uma « competição de tecnologia espacial » entre os Estados Unidos e a União Soviética havida, especificamente, entre os anos de 1957 e 1975, num dos maiores marcos da « Guerra Fria », período histórico esse caracterizado por disputas estratégicas e conflitos indiretos entre esses dois países que se deu desde o final da Segunda Guerra (1945) até a extinção da União da República Socialista Soviética (1991).

Historicamente, cabe esclarecer que a lua sempre foi objeto de fascínio humano, seja nos primórdios da história do homem, nas religiões e cultos, seja nos escritos de Jules Verne, com seu « De la Terre à la Lune » (1865), que conta a história de um grupo de homens que vai à lua valendo-se de um grande canhão, ou com o cineasta Georges Melies, que no filme « Le voyage dans la lune » (1902) descreve uma expedição à dita cuja. Portanto, desejos e ideias sobre o potencial e como poderia se dar a viagem do homem à lua nunca faltaram.

Com o final da Segunda Guerra Mundial e a derrocada humilhante da Alemanha, os Estados Unidos e a URSS atraíram para si alguns dos grandes engenheiros e cientistas da época. Um dos mais importantes foi o projetista alemão Wernher von Braun, uma das figuras mais importantes no desenvolvimento de foguetes na Alemanha e depois nos Estados Unidos. Antes e durante a Segunda Guerra, Wernher alcançou progressos memoráveis, como o aperfeiçoamento da bomba-foguete e a criação da tecnologia conhecida como « foguete v2 », primeiro míssil balístico usado pela Alemanha contra alvos britânicos e belgas no final da guerra.

Anos mais tarde, Wernher esteve diretamente envolvido nos primeiros passos do programa espacial estadunidense, e foi o líder do projeto Saturno V (também chamado foguete lunar), e que levou as naves Apollo para a lua.

O grande estopim para a corrida espacial aconteceu quando a URSS lançou o satélite artificial Sputnik na órbita terrestre em 04 de outubro de 1957, causando um grande alvoroço e desconforto para os Estados Unidos. Aliás, não faltava teorias conspiratórias de que os russos poderiam estar vigiando cada movimento dos estadunidenses do espaço, principiando as neuroses anti-comunistas que viriam nos anos seguintes.

Quando o astronauta russo Yuri Gagarin se tornou o primeiro homem a viajar por cerca de 48 minutos na órbita terrestre à bordo da Vostok I, em 12 de abril de 1961, e lançou a famosa frase « A terra é azul, e eu não vi Deus », tornando-se herói nacional, os Estados Unidos, que apenas davam início ao seu programa espacial, trataram de correr atrás do prejuízo.

E a resposta se deu logo em seguida, com o lançamento do satélite Explorer I, em 31 de janeiro de 1958, e nos anos que se seguiram, multiplicaram-se os números de sondas espaciais e satélites artificiais meteorológicos e espiões lançados pelos dois países.

Para centralizar as operações espaciais, os Estados Unidos não mediram esforços para alcançar seus objetivos e criaram, em 29 de julho de 1958, a NASA (National Aeronautics and Space Administration), também conhecida como « Agência Espacial Americana », órgão governamental responsável pela pesquisa e desenvolvimento de tecnologias e programas de exploração espacial.

Obstinados, os estadunidenses investiram pesado no propósito de levar o homem à lua, e num famoso discurso realizado em 1961, o então Presidente John F. Kennedy lançou o desafio de enviar homens à lua e retorná-los a salvo antes mesmo que década terminasse. « We choose to go to the moon in this decade and do the other things, not because they are easy but because they are hard », disse Kennedy.

Com o Projeto Mercury teve então início o audacioso plano. Sequencialmente, teve-se o Projeto Gemini, e finalmente o bem sucedido Projeto Apollo. Com a investida da Apollo 8 que levou três astronautas estadunidenses a orbitar na superfície da lua, em 1968, a URSS acabou ficando para trás com suas missões não tripuladas chamadas Zond.

Cada vez mais próximos do seu objetivo, num investimento de mais de 20 bilhões de dólares, tecnologia desenvolvida por mais de 20 mil companhias manufatureiras de componentes de peças e o desempenho de mais de 300 mil trabalhadores, os Estados Unidos desenvolveram a missão Apollo 11, e a viagem à lua finalmente teve início numa quarta-feira ensolarada, no dia 16 de julho de 1969, às 9:32 horas da manhã, no complexo 39 da plataforma de lançamento A, no Kennedy Space Center, Flórida, com o lançamento da Apolo 11.

Quatro dias depois, em 20 de julho de 1969, há exatos 40 anos, a missão Apollo 11 pousou na superfície lunar, numa localidade conhecida como « Sea of Tranquility » ( « Mar de Tranquilidade » ).

Os momentos que antecederam a chegada do homem à lua deixou o mundo inteiro em polvorosa. Mais de 850 jornalistas de 55 países registraram o ocorrido. Cerca de 1,2 bilhão de pessoas testemunharam via satélite a chamada alunissagem, até então considerada impossível (e ainda hoje por muitos desacreditada). Foi um dos eventos mais marcantes da história da humanidade.

No dia 24 de julho de 1969, a missão Apollo 11 voltou à Terra, e desde então os satélites têm revolucionado os sistemas de comunicação e há naves não tripuladas viajando para além dos limites do sistema solar.

Depois de Neil Armstrong e Edwin Aldrin, outros dez astronautas já pisaram na lua em seis missões Apollo lançadas.

Bom, como eu já disse, existem muitas pessoas que não acreditam ou têm dúvidas acerca da viagem do homem à lua valendo-se de supostos indícios obtidos mediante as fotografias tiradas em solo lunar. Teorias conspiratórias dão sempre muito pano para a manga, porquanto geralmente muito bem fundamentadas e, consequentemente, dignas de respeito, mas nem sempre  são contundentes.

Não pretendo com meu pequeno resumo aqui contrariar a crença de quem quer que seja, pois, como mencionei logo no começo, trata-se esse de um pequeno informativo baseado em relatos históricos alcançado mediante pesquisa em fontes oficiais. Porém, a título meramente esclarecedor do que penso sobre a missão Apollo 11 e os eventos sucedidos no dia 20 de julho de 1969,  não posso deixar passar batida a minha opinião, mesmo que lançada superficialmente, não é mesmo?

O fato é que tenho como certa a ida do homem à lua, a alunissagem e a fincada de pé de Armstrong e Aldrin em solo lunar. É o que penso, é o que acredito.

Ora, não creio que uma mentira tamanha como essa resistiria por quatro décadas. A própria URSS, porquanto em pé de igualdade com os Estados Unidos quanto à corrida espacial, poderia muito bem desmascarar o evento com sua tecnologia de ponta, o que não o fez, corroborando os fatos como efetivamente se deram! Também não acredito que os astronautas da missão Apollo 11 se submeteriam a uma farsa tamanha por tanto tempo no que muitos consideram uma lavagem cerebral coletiva, tampouco nas supostas fraudes apontadas nas fotos disponibilizadas pela NASA sobre a alunissagem. Aliás, nesse sentido, recomendo o episódio 11 da temporada 6 do programa « The Mithbusters (Os Caçadores de Mitos) », intitulado « NASA Moon Landing Hoax », que desmistifica a farsa da ida do homem à lua.

Se você acredita ou não na ida do homem à lua, não importa. O fato é que há 40 anos tivemos um grande marco na história da humanidade, e tenha ele acontecido ou não, temos a partir dai a premissa de que se sonhar e teorizar é apenas a prévia para uma grande conquista, podemos ao menos acreditar que tudo podemos com o que temos quando verdadeiramente queremos.

Dia Mundial do Rock

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Pra quem não sabe, hoje (13/07) é o Dia Mundial do Rock, e como apaixonada por esse gênero musical de grande sucesso ao longo de suas várias décadas de existência, não poderia deixar essa data passar batida, não é mesmo?

A própria história do rock, sua adaptabilidade e evolução junto à mentalidade humana, especificamente no que se refere ao público jovem nos mostra o seu sucesso, de modo que, nada melhor do que ver supeficialmente essa cronologia marcante e alguns dos seus grandes nomes.

Fazendo um retrospecto, o rock começou nos Estados Unidos, mais especificamente no sul do país, com o escravo negro que incorporou na sociedade norte-americana a sua musicalidade. No início dos anos 50, a sonoridade desse povo sofrido e marginalizado nas grandes fazendas sulistas nos Estados Unidos já fazia parte desse estilo musical nascente, que também abrangia o ritmo europeu, fusão essa que se prestou para o nascedouro do « blues ».

Característica marcante do rock é o som das guitarras elétricas, e naquela época, as letras simples e o ritmo dançante nos introduziram ao « rhythm and blues », vertente negra do gênero que imediatamente caiu no gosto popular ao aparecer pela primeira vez num programa de rádio em Ohio, nos idos do ano de 1951, trazendo as origens corpóreas do rock.

Nos anos 50, o rock desfila seus primeiros grandes  passos para maior aceitação popular. Os jovens se identificam com o gênero e o estilo rebelde dos cantores e bandas. « Bill Halley » lança « Shake, Rattle and Roll » em 1954, e faz a moçada ir ao delírio, tornando astros de cinema como James Dean e Natalie Wood, de « Juventude Transviada » (1955), tornarem-se símbolos de uma geração abençoada pelo amor, pela violência e pela autodestruição apregados pelo rock. Outros nomes aparecem para igualmente se tornarem lendas do estilo, como Chuck Berry, com seu « Johnny B. Godde », Little Richard, Buddy Holly e Jerry Lee Lewis.

Mas é no ano seguinte que o rock tem a sua grande virada quando o « Rei do Rock » surge. Ele mesmo. Elvis Presley. A vibração negra, a voz rouca, a sexualidade transparente e o som pesado o tornaram um astro, e inspiraram jovens do mundo inteiro, e o « rock’n'roll » surge como um movimento de contracultura na qual os pais se desesperam ao ver aquele jovem balançar freneticamente sua pélvis em imagens transmitidas nos aparelhos televisores do mundo todo.

Valendo-se de diversos ritmos como a « country music » e o « rhythm and blues », Elvis se tornou o astro máximo do rock, alcançando vendas extraordinárias com o álbum « Heartbreaker Hotel », em 1956. Tão importante como símbolo do « rock’n'roll », Elvis Presley foi o artista que solidificou o gênero como um estilo de música popular. Mas para sua época, será sempre sinônimo de rebeldia, sexualidade e energia.

No final dos anos 50, o « rock’n'roll » já era produto cultural, e não mais marginalizado pelos conservadores que o consideravam maldito. Tornou-se então parte dos valores sociais, e principalmente, das grandes vendas.

Foi então que, em meados de 1960, surgiu Bob Dylan, muitas vezes comparado ao personagem desajustado do livro de J.D. Salinger, « O Apanhador nos Campos de Centeio ». Tem-se o início de um novo modelo de rock: « a canção protesto ». Seguindo essa linha, surge o movimento « hippie », e com ele, o pacifismo, o amor livre e as « viagens » de LSD. São os chamados « Anos Rebeldes ».

Enquanto isso, na Europa, surge a banda de maior sucesso de todos os tempos: « The Beatles ». Os quatro jovens aparentemente bem comportados de Liverpool estouram nas paradas e alcançam o mundo novo em 1962 com o hit « Love me do ». Tem início então a « beatlemania ».

Paralelamente, outro grupo britânico começa a fazer sucesso: « The Rolling Stones », que ao contrário de « The Beatles », estava sempre envolvido em escândalos, não tinha um visual nada comportado, e trouxe novamente à tona a assertiva de que sexo, drogas e rock’n'roll não vivem separados.

É em 1969, ainda, que acontece o « Festival de Woodstock », fazenda ao norte de NY, onde se tem o símbolo máximo deste período. Sob o lema « Paz e Amor », mais de meio milhão de pessoas compareceram no concerto que contou com a presença de nomes como os de Jimi Hendrix e sua guitarra frenética, Janis Joplin, Joe Cocker, e muitos outros.

Não menos importante, foi o surgimento do « The Doors » alguns anos antes, em 1967, que apesar da vida curta, foi marcante. Jim Morrison, vocalista da banda, não apenas era um grande compositor como intérprete, e incorporava sensualidade no palco, de modo que músicas como « The End » e « Light my Fire », que compõem a trilha sonora de um clássico dos filmes de guerra,  « Apocalypse Now », de Francis Ford Coppola, tornaram-se hinos de uma época.

Nos anos 70, bandas como « The Mamas & The Papas », « The Who », « Jefferson Airplane » e « Pink Floyd », ainda reminescência do rock progressivo, embalado pela música clássica e pelas inovações tecnológicas, já eram sucesso no mundo inteiro, e o rock ganha um visual muito mais popular e massivo, com o surgimento do videoclipe.

Embora a batida dançante passasse a tomar conta das pistas de dança no mundo todo ao som, por exemplo, dos Bee Gees, consagrando o estilo com filmes como « Saturday Night Fever » na chamada era da « dance music », que despontou também com sucessos de Frank Zappa, « Creedence Clearwater », Neil Young, Elton John, Brian Ferry e David Bowie, surge o « heavy-metal » com « Led Zeppelin », « AC/DC », « Iron Maiden », « Black Sabbath » e « Deep Purple », movimento que quebrou as sequencias do estilo « The Beatles », e onde a regra era tocar muito alto e fazer performances inigualáveis nos palcos.

« Black Sabbath » foi a primeira banda de rock a associar o gênero musical a imagens de « morte, demônios e ocultismo ». Mas a banda que efetivamente comandou no quesito sonoridade do rock nessa época foi « Led Zeppelin », maior representante da vertente « sexo, drogas e rock’n'roll » nos loucos anos 70.

Nos anos 80, década de « um pouco de tudo em cada coisa », David Bowie se consolida com seu estilo camaleão, e surgem nomes como os de Alice Cooper e da banda « Kiss », que ditam a nova regra, qual seja, apresentações dignas de estrondosos shows de circo nos palcos, não necessariamente no caso de Cooper, que mais estava para freak, eis que parecia muito mais interessado em repudiar e chocar o público do que qualquer outra coisa. Mas, em regra, seus shows também eram fenomenais.

« Judas Priest » ganha espaço no cenário europeu mesclando visual extravagante com sonoridade pesada, mas é « Queen », na voz de Fred Mercury com o seu « Bohemian Rhapsody » de 1975, uma « ópera rock » de tirar o fôlego, que se tornou uma das maiores bandas da década. Era a época dos grandes concertos, como já se mencionou, e « Queen » não deixava a desejar.

O cenário musical dos anos 80 também inaugurou um novo estilo, o « punk rock », movimento representado por nomes como os « The Clash », « Sex Pistols », e não menos importante, « Ramones », considerada banda precursora da vertente, e uma das mais influentes da história do rock.

Nesses idos, com a popularização do rock, e que acabou se prestando inclusive para o nascedouro da música pop com diversos artistas que ainda hoje são aclamados pelo público, tivemos também o « glam metal », influenciado por vários artistas do « hard rock » e « heavy-metal », com bandas como « Skid Row » e « Bon Jovi » e « Guns n’Roses ».

Se os anos 80 foram a década da experiência, os anos 90 foram das grandes fusões musicais. Surgem as primeiras bandas de rock alternativo, influenciadas por fusões de ritmos diferentes e do sucesso, em nível mundial, do rap e do reggae. Bandas como « Red Hot Chili Peppers » e « Faith no More » fundem o « heavy metal » e o « funk », ganhando o gosto do público.

Em Seattle, surge o movimento « grunge », com « Nirvana », liderado por Kurt Cobain, maior representante deste novo estilo. « R.E.M. », « Pearl Jam » e « Alice In Chains » também fazem sucesso no cenário grunge deste período, e o cenário britânico ganha novas bandas como « Oasis », « Green Day » e « Supergrass ».

Já, no Brasil, o rock apareceu na voz de Celly Campello com seu « Banho de Lua » e « Estúpido Cupido » no começo da década de 60. E é nessa mesma época que surge a chamada « Jovem Guarda », com nomes como os de Roberto Carlos, Erasmo Carlos e Wanderléa. As letras românticas e o ritmo acelerado ganha o público e, em meados dos anos 70, entra em cena um dos nomes mas marcantes do rock brasileiro: Raul Seixas. Não menos importante, é a banda « Secos e Molhados ». Na década seguinte, temas mais urbanos e polêmicos ganham espaço com bandas como « Ultraje a Rigor », « Legião Urbana », « Titãs », « Barão Vermelho », « Kid Abelha », « Engenheiros do Hawaii », « Blitz » e « Os Paralamas do Sucesso ». E os anos 90 foram marcados pela sonoridade de « Raimundos », « Charlie Brown Jr. », « Jota Quest », « Pato Fu » e « Skank ».

Bom, disso tudo se conclui que, independente da vertente, o rock está presente em todo lugar, ditando tendências e estilos, e se você não gosta de pelo menos um dos movimentos acima citados, ou de um dos artistas ou bandas mencionados e que regraram e fizeram parte da história do rock desde a sua origem, então você definitivamente não tem motivo para comemorar a data de hoje, e talvez também não seja uma pessoa lá muito normal, não é mesmo? Associado a sexo,  transgressão, drogas, o que seja, o rock é, e sempre será, acima de tudo, sinônimo de liberdade.

Aos apaixonados pelo gênero, recomendo o documentário produzido pela BBC de Londres, « Seven Ages of Rock », que conta a história do rock ao longo dos seus cinquenta anos. Imperdível !

E para saber mais sobre os vários estilos do rock, basta clicar aqui.

Terminator: Salvation

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Ontem finalmente assisti a « Exterminador do Futuro: A Salvação » ( « Terminator Salvation » ), e posso dizer que, como fã de longa data da saga iniciada por James Cameron em 1984, dou-me por satisfeita com a produção de McG, a primeira da franquia sem o ciborgue vindo do futuro interpretado por Arnold Schwarzenegger no papel principal.

Bom, o filme, pra quem não viu, e informo desde logo que os comentários a seguir são repletos de spoilers (ou seja, « informações estraga prazeres » e que podem conter revelações sobre a trama) é ação do começo ao fim. Portanto, se você pretende ir ao cinema para ver um filme que o faça refletir, esqueça. « Terminator Salvation » é um filme para quem é fã da franquia principal – e aqui nem me atrevo a incluir o infame « Terminator: Rise of the Machines », o que deveria ser o terceiro filme da cinessérie – e para quem verdadeiramente é fã de sequências de ação de perder o fòlego.

A trama começa nos apresentando o personagem Marcus Wright (Sam Worthington, que aparentemente não fez outro filme muito conhecido até então, mas que, segundo o IMDb, estaria na refilmagem de « Fúria de Titãs », com previsão para estréia em 2010, e no papel de Perseu). Ele é um condenado que se encontra no corredor da morte, prestes a ser executado. Ao receber o que parece a frequente visita da Dra Serena Kogan (Helena Boham Carter), o personagem decide vender seu corpo para suas pesquisas. No formulário onde ele assina o nome, vemos o nome da corporação que tanto conhecemos pelos filmes anteriores da saga, « Cyberdyne Systems ».

Relembrando a história principal, a « Cyberdyne Systems » é inicialmente uma companhia benigna manufatureira em Sunnyvale, Califórnia, cuja produção é voltada para equipamentos hightech. Com a recuperação pela companhia do braço do modelo T-800 destruído em « The Terminator » (1984), ela começa a secretamente produzir dispositivos tecnológicos baseados em engenharia reversa dos restos do exterminador, e com a recuperação da CPU do ciborgue destruído, criam um poderoso microprocessador para sistemas de armas, que futuramente se torna a temível Skynet.Tais informações, aliás, são mencionadas no segundo filme da franquia.

Pois bem. Prestes a ser executado, Marcus é assistido pela ta Dra Kogan, o fime dá um salto para o ano de 2018, não sem antes termos a sempre diligente explicação sobre os eventos que culminaram na guerra entre a resistência humana contra as máquinas, iniciada a partir do que todos conhecem como « Dia do Julgamento ». Nesse ponto, importante destacar que o tal « Dia do Julgamento » é conhecido como o momento em que a Skynet tomou consciência e, em pânico os humanos tentaram desligar o sistema, e aquela lançou um ataque nuclear contra a Rússia, que revidou, acarretando num longo período de guerra em escala global que jogou humanos contra as máquinas, as quais desenvolveram capacidades cada vez maiores. Em « Terminator 2: Judgement Day », o « Dia do Julgamento » foi apenas adiado, conforme vemos na continuação, « Terminator: Rise of the Machines ».

Em « Terminator Salvation », no ano de 2018, vemos um campo de batalha que muito nos remonta os filmes da franquia « Mad Max ». As máquinas estão por toda parte, cada vez mais sofisticadas e imponentes, como o gigantesco robô de mais de 20 metros de altura que arrasa tudo que vê pela frente. John Connor (Christian Bale) em nada se parece com o salvador da humanidade que conhecemos das histórias de Kyle Reese (Michael Biehn) no primeiro filme ou como aquele que Sarah Connor (Linda Hamilton) pretende prepará-lo ser no segundo. Ele é apenas um soldado, que numa primeira missão, junto com sua equipe, descobre os planos das máquinas para um projeto que seria um novo modelo de exterminador: o T-800. Todos são dizimados no que parece uma armadilha da Skynet, e após uma luta arrebatadora com os restos de um T-600, Connor é resgatado. No meio dos escombros do local da armadilha perpetrada pela Skynet contra a equipe da qual John Connor fazia parte, vemos Marcus emergir.

O filme segue então com duas paralelas. Temos a história de Marcus, que caminha em busca da civilização, sem entender o que está acontecendo, e John Connor se tornando o líder de uma operação que pode colocar fim à guerra com a Skynet, mas sempre preocupado em resgatar humanos prisioneiros das máquinas, conflitanto com o comandante geral da resistência, Ashdown (Michael Ironside). Mas é com Marcus que temos as melhores sequências do filme. Num primeiro momento, ele chega a uma apocalíptica Los Angeles, onde confronta o primeiro ciborgue que encontra pela frente. Ele é então salvo por um garoto, que mais tarde se revela ser o ainda jovem e desajeitado Kyle Reese (Anton Yelchin), e uma menina muda, que nada mais são do que o remanescente da base da resistência humana na Cidade dos Anjos. Apesar de se afeiçoar pelos dois, Marcus decide partir, e no meio de um ataque, os três acabam deixando a cidade.

Enquanto isso, vemos que John Connor tem em seu poder as fitas cassetes que sua mãe lhe deixou, e que o ajudam e o orientam para o que está por vir. As gravações, porém, nada revelam sobre seu pai, e ao descobrir que ele e Kyle Reese estão na lista das futuras execuções pela Skynet, entende que este é seu pai, mandado por ele mesmo do futuro para salvar sua mãe no passado. Realmente. Quem não conhece a história original pode acabar se perdendo um pouco, mas verdade seja dita: até quem conhece acaba se confundindo um pouco, como o fato de John não lembrar da infância e do encontro com o T-800 ou com o modelo T-1000 no segundo filme, do que nos faz apenas concluir que não existe ainda a linha temporal como conhecemos, e que os fatos o são a partir do momento em que ocorrem. É mais ou menos o que o personagem Daniel Faraday, de « Lost » teria dito.

Enfim, Marcus, Kyle e Star acabam sendo atacados quando Kyle é reconhecido por uma máquina rastreadora, e os dois últimos são raptados juntamente com vários outros humanos, os quais estão sendo levados para a base de operações da Skynet. Marcus vai ao encalço deles, mas acaba esbarrando em Blair, que o guia pelo deserto até a base da Resistência, alegando que John Connor poderá ajudá-los. Nesse interim, já sabemos que John Connor, embora não seja ainda o líder da resistência, tem muita influência sobre todos. Ele transmite mensagens de apoio para todos os humanos através de uma sintonia de difícil acesso pelas máquinas, e onde quer que seu nome seja mencionado, temos uma reação de profundo respeito. É por conta de uma dessas transmissões que Marcus decide ir ao encontro de Connor, certo de que ele poderá ajuda-lo a resgatar seus novos amigos.

Mas as coisas tomam novo rumo quando Marcus e Blair precisam atravessar um campo minado, e o primeiro acaba pisando numa das minas. Pelas mãos da Dra Kate Connor (Bryce Dallas Howard), esposa de John, descobrimos o que muitos dos fãs da franquia já desconfiavam: Marcus é o primeiro bem-sucedido modelo de infiltração da Skynet, um T-800, que até então os humanos desconheciam. Aprisionado com seu esqueleto de metal parcialmente à mostra, Marcus bate de frente com John Connor, que apesar de surpreso com aquele novo robô, reconhece-o pelas gravações de sua mãe, como uma das máquinas enviadas para matá-los. Mas Marcus se mostra totalmente alheio à esse propósito, e embora veja suas partes metalicas, insiste dizer ser um humano. Trata-se esse de um dos momentos mais emocionantes do filme, na minha opinião. Afinal, vimos do que Marcus é capaz, e sabemos que suas intenções são verdadeiramente sinceras, apesar de terem conferido a ele um passado duvidoso como criminoso.

Blair, entretanto, tem a certeza de que Marcus é bom, e consegue libertá-lo. O ciborgue é caçado, e num momento climax, bate novamente de frente com Connor logo após salvá-lo de uma máquina assassina. Connor decide então confiar nele, e Marcus vai até a Skynet, onde, após localizar Kyle, irá informar Connor, para que proceda com o resgate. Mas a investida da resistência humana contra a Skynet com a nova arma testada e aprovada pelo comando geral não tem o objetivo de salvar os prisioneiros das máquinas, o que deixa Connor num grande impasse. Num ato de desespero, sabendo que salvar a vida de Kyle pode custar o futuro, considerando todas as informações que lhe foram passadas por sua mãe, Connor consegue persuadir todos os seus ouvintes a não atacarem a base de operações da Skynet, independentemente de quaisquer ordens do comando geral, que por fim acaba tendo sua base destruida.

Na Skynet, Marcus tem acesso livre, localiza Kyle e dá a informação a Connor, que também entra na base. Logo depois, Marcus descobre que realmente se trata de uma máquina, e que tudo o que fez até o momento foi se prestar como isca para uma armadilha contra John Connor. Desesperado, Marcus reluta acreditar que seu propósito é exterminar vidas, e remove o chip de sua cabeça. Enquanto isso, Connor liberta vários prisioneiros, e tenta, em vão, localizar Kyle, que está numa cela especial. Num momento mais do que inesperado, temos o T-800 revestido como o humano que tanto nos empolgou nos dois primeiros filmes da cinessérie. Ele mesmo. Arnold Schwarzenegger. Não propriamente em pele e osso, mas com efeitos especiais surpreendentes. O ciborgue emerge de uma das celas, numa cena extraída e melhorada do primeiro filme, e ataca John Connor. Pois esse é o objetivo todo do filme, retornar às origens dos filmes anteriores: exterminar o líder da resistência humana. E nada melhor do que pelas mãos do modelo T-800 original que sua mãe e o próprio personagem encontram nos filmes anteriores.

Temos então uma luta arrebatadora entre Connor e o exterminador. Claro, luta entre aspas, pois Connor mais precisa se esconder do exterminador do que confronta-lo. Afinal, bater de frente com um T-800 não é para qualquer um, aliás, só para outro robô. No meio de toda essa confusão, Connor encontra Kyle, e o salva. Os efeitos especiais das cenas seguintes, registre-se, são sensacionais, principalmente no que se refere ao vislumbre do Governador do Estado da California mais uma vez na pele do ciborgue assassino, o que, infelizmente não dura muito, já que Connor o incendeia, e o esqueleto de metal faz todo o resto das sequências. Quando o combate fica cada vez mais complicado, inclusive com direito a referência à uma das « tentativas » de destruição do modelo T-1000 em « Terminator 2: Judgement Day », Marcus aparece para salvar o dia, e temos uma luta verdadeiramente justa entre os dois exterminadores, algo que até nos faz lembrar dos bons momentos na série de TV inspirada na franquia, « Terminator: The Sarah Connor Chronicles ». Aliás, elementos da série no filme e vice-versa são nítidos.

Connor é fatalmente atingido no tórax, e depois de destruir o exterminador assassino, Marcus consegue removê-lo do local. Todos os humanos são resgatados, e a base de operações da Skynet é destruída. Na base da resistência, Connor está em seu leito de morte por conta do ferimento, e Marcus sede o coração humano que bate dentro de sua estrutura metálica para salvá-lo, compreendendo a importância de John Connor para a resistência.

Bom, por óbvio que o filme se passa muito antes dos eventos narrados nos dois primeiros filmes de James Cameron. Não temos qualquer menção a viagens no tempo, e Connor é muito diferente do prometido na história original. Mas « Terminator Salvation » nos traz com muita abnegação o que poderia ser considerada a origem de tudo. Afinal, temos o primeiro modelo de infiltração T-800; a primeira referência de que um ciborgue pode aprender com os humanos, o que provavelmente motiva Connor a reprogramar um deles no segundo filme; a evolução do próprio Connor como líder da resistência; os elementos que tornam o personagem John Connor tão especial para a resistência e modelo para os humanos sobreviventes; e não menos importante, os primeiros eventos para que ele finalmente tome a decisão de enviar Kyle (obviamente depois de muito tempo) para o passado para salvar sua mãe, Sarah Connor, e termos assim os eventos de « The Terminator » (1984). Não temos explicações em pormenores da evolução da Skynet, pois esse é um detalhe que merece permanecer em « Terminator: Judgement Day », e também temos algumas incoerências, como quaisquer referências a « Terminator: Rise of the Machines », mas o filme cumpriu excepcionalmente bem sua função.

Provavelmente teremos mais uma série de filmes do exterminador, espera-se, e com ou sem Schwarzenegger na pele do ciborgue assassino, com certeza teremos muito com o que nos deleitar com a história do agora heróico líder da resistência humana, John Connor, no futuro. Podemos até mesmo chegar a ver o momento em que Kyle Reese, então um soldado e estrategista de muito valor, será enviado ao passado. As circunstâncias em que tal evento se dará, e talvez até mesmo momentos outros que nos tragam mais pormenores das histórias contadas nos filmes anteriores. Claro, sempre com muita referência, como as que tivemos com « Terminator Salvation »,. Afinal, quem não delirou ao escutar as gravações da Sarah Connor para seu filho; ou rever as nuances da história original que profetiza John Connor como o salvador da humanidade; ou rever Schwarzenegger como exterminador numa cena descaracadamente – e isso não significa que não foi bom demais – extraída dos primeiros filmes; ou mesmo escutar « You Could be Mine » dos « Guns N’Roses »; e conferir sequências de ação que em muito nos remonta aos dois primeiros filmes, como a perseguição das motomáquinas? Enfim, se o objetivo era honrar os filmes de Cameron e recomeçar a franquia de um novo ponto de partida, « Terminator Salvation » efetivamente cumpriu seu papel!

A Renault de Doisneau

Fotografia é minha paixão antiga, mas nem por isso você vai me ver com uma máquina fotográfica nas mãos a cada evento social e familiar do qual participo, ou mesmo trabalhos meus divulgados por ai. Não. Eu amo tirar fotografias e ser fotografada, mas mais do que tudo, apreciar os trabalhos de um bom fotógrafo.

Há algum tempo eu estava querendo assistir à exposição « Le Renault de Doisneau », um dos eventos promovidos para o Ano da França no Brasil, mas a falta de tempo me compelia de fazê-lo. Nesse último final de semana, impulsionada por um desejo súbito de dar umas voltas no centro da cidade, acabei encontrando a oportunidade e o tempo necessários para apreciar os trabalhos desse grande fotógrafo.

Para quem não sabe, Robert Doisneau (1912-1994) foi um famoso fotógrafo humanista francês, influenciado por Henri Cartier-Bresson, e conhecido mundialmente por registrar a vida social das pessoas que viviam em Paris e em seus arredores, mas principalmente por suas fotografias comerciais para publicações em revistas, assim como a famosa fotografia « O Beijo do Hotel de Ville » (Paris, 1950):

Mais do que tudo, Doisneau é notoriamente conhecido pelo estilo. Seus trabalhos são modestos, divertidos e irônicos, mas acima de tudo envolvendo pessoas em suas rotinas diárias. Ele se presta de justaposições que envolvem desde classes sociais até situações cotidianas nas ruas e nos cafés parisienses. Seus protagonistas são sempre pessoas. É dele a frase: « As maravilhas da vida diária são excitantes; nenhum diretor de cinema consegue captar o inesperado que encontramos nas ruas ». E quem poderia contrariar tal afirmativa?

A exposição, como o próprio nome indica, tem, em sua maioria, os trabalhos realizados por Doisneau quando este trabalhava como fotógrafo industrial da multinacional Renault, em Billancourt, França, entre os anos de 1934 a 1939. O artista, aliás, teve duas passagens pela montadora de carros francesa. Nos idos da década de 30, quando, apenas com 22 anos de idade, já dominando as técnicas de enquadramento e luz, foi contratado como fotógrafo itinerente, e deixou para a posteridade o universo da grande indústria e da alta sociedade francesa, e anos mais tarde, quando contratado para trabalhar como fotógrafo freelancer para as campanhas publicitárias da Renault (1945-1955). Mas a mostra também revela o trabalho urbano de Doisneau, e sua paixão pelo cotidiano da vida urbana parisiense.

Relatando brevemente sua trajetória após sua demissão na sua primeira passagem pela Renault em 1939, Doisneau se tornou membro da resistência francesa e registrou a ocupação e a libertação de Paris. De conseguinte, tornou-se freelancer da revista « Life » e de diversas outras internacionais. Apesar de relutar, acabou trabalhando para a « Vogue » de Paris entre 1948-1951, e fotografou inúmeros famosos como Giacometti, Cocteau, Leger, Braque, e Picasso. Recebeu inúmeros prêmios, como o Kodak (1947), o Niepce (1956), o National de la Photographie (1983) e o Balzac (1986).

Embora « O Beijo do Hotel de Ville » seja o trabalho mais conhecido de Doisneau, a identidade do casal era um mistério até 1993, quando Denise e Jean-Louis Lavergne levaram o fotógrafo a julgamento por divulgar a imagem sem seu consentimento. Foi então que Doisneau revelou que a foto havia sido tirada em 1950 e que o casal na verdade era Françoise Bornet e Jacques Carteaud, modelos que se dispuseram a posar para ele. Françoise tinha uma impressão original da foto como forma de pagamento, e em abril de 2005, mais de 10 anos da morte do artista, ela a vendeu por 155,000 € num leilão.

Abaixo, apenas algumas das mais de 100 fotografias que podem ser conferidas na imperdível exposição « Le Renault de Doisneau »:

Os trabalhos de Doisneau podem também ser conferidos na Biblioteca Nacional em Paris, no Instituto de Arte de Chicago, na Casa George Eastman em Rochester, New York, e na Galeria Witkin em New York City.

Para saber mais sobre o fotógrafo, o site oficial é Robert Doisneau.

A exposição « Le Renault de Doisneau » em Curitiba acontece até o dia 14 de junho, na Casa Andrade Muricy.

Star Trek: O futuro começa

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Depois de assistir a « Star Trek », ficou a sensação de que J.J. Abrams foi mesmo para onde nenhum outro homem já foi…

Bom, talvez, exceto, por Martin Campbell e Christopher Nolan, já que parece estar mesmo em voga recomeçar a saga de grandes sucessos do cinema do passado. Aliás, a moda pegou de jeito. Campbell reiniciou a franquia do espião mais famoso da telona, James Bond, com o seu arrebatador « Casino Royale », com méritos também de Daniel Craig, que surpreendeu depois de várias chacotas públicas de que seria ele « o mais feio » dos agentes secretos da coroa britânica comparado aos seus ilustres predecessores (dentre os quais, Sean Connery e Roger Moore), que acabou rendendo uma continuação, « Quantum of Solace », de Marc Forster, fazendo os críticos maldosos pagarem com a própria língua pela boa receptividade do público quanto aos dois filmes.

Nolan, por sua vez, reiniciou a franquia « Batman » com os sucessos de « Batman Begins » e « O Cavaleiro das Trevas », filmes esses que nos mostram uma nova faceta do herói mascarado, e como nunca antes vimos, talvez apenas no quadrinhos, para verdadeiro delírio dos fãs, e acabou até mesmo se tornando motivo de interesse da Warner Bros. e sua afiliada DC Comics em também recomeçar a saga do Homem de Aço no cinema, já que o filme « Superman Returns », de Bryan Singer, não vingou pelo fato de não ter agradado o público em geral, segundo, pelo menos, o que dizem os tablóides especializados em rumores e notícias sobre o mundo do cinema.

Recomeçar cinesséries não é mérito apenas das grandes e mais caras franquias, pois recentemente também tivemos o relançamento da saga de Jason Voorhes com o novo « Sexta-Feira 13 », o qual, dizem, pois ainda não vi, é muito bom, e há rumores de que estão também trazendo de volta à vida os mortos dos filmes de George Romero!

Enfim, se for pra falar de tudo o que pretendem « rebootar » no cinema, vai ser um tópico que não acaba mais, de modo que, vamos logo ao que interessa…

Apesar de não ser o primeiro a recomeçar um grande sucesso do cinema, J.J. Abrams tem seus méritos. Afinal, trata-de se « Star Trek ». Ou seja, não é assim uma coisinha a toa, sem desmerecer os outros filmes e franquias em geral. Mas é « Star Trek », oras! Uma saga que anda por ai fascinando as pessoas há mais de 40 anos! E olha, embora eu tenha acompanhado muitos episódios da série de TV original pelas reprises do antigo canal Sci-Fi que por aqui era transmitido onde hoje é o Universal Channel, e tenha assistido a todos os filmes, com exceção dos seus derivados, dentre os quais, « The New Generation », « Deep Space Nine », « Voyager » e « Enterprise », que nunca me atrairam, não me considero uma « trekker » por assim dizer, mas sei que esse novo filme, com a promessa de recomeçar uma das histórias de ficção-científica mais aclamadas pelo público devia ser algo espetacular. E foi.

Assistir ao novo « Star Trek » foi uma experiência inefável. Mesmo eu, que sou muito leiga em vários aspectos da franquia original e da série de TV, notei referências deleitáveis e que cumpriram seu papel em homenagear uma saga tão bem construída. Claro, falando assim é até fácil. Seria basicamente injetar uma boa grana, e ter a genialidade de um diretor já consagrado no gênero ficção-científica como J.J. Abrams, que já vem fascinando desde algum tempo com as séries « Alias », « Lost » e « Fringe », e juntar retalhos do passado de « Star Trek » para construir uma boa trama. Mas não é só isso…

É fato notório que os fãs de « Star Trek » são dos mais exigentes. Sendo assim, surpreendê-los com um « reboot » da cinessérie não é uma tarefa que se constrói apenas trazendo os personagens que tanto amam na pele de novos e talentosos atores, ou fazendo referências ao universo de « Star Trek » e mandando ver nos efeitos especiais. Seria muito fácil se fosse só isso. O problema, por assim dizer, é que « Star Trek » vem rendendo boas histórias há mais de 40 anos, desde que a série de TV estrelou no outuno estadunidense de 1966, e depois com os filmes, e então seus derivados, apresentando ao público inúmeros outros personagens.

Para que o novo filme pudesse ser bem aceito, considerando que se trata do reinício da franquia, deveria então, creio eu, haver uma boa explicação para esses 40 anos de histórias que acompanhamos simplesmente deixarem de existir para dar azo às novas aventuras da Enterprise, claro, já levando em conta a hipótese de que continuações estão por vir. Afinal, por mais que tenha sido o filme um deleite visual, seja com os efeitos, e a performance dos atores que incorporaram muito bem os personagens icônicos, ficou a preocupação de que fosse apagado para sempre da história de « Star Trek » tudo o que os tripulantes da Enterprise viveram até agora.

Felizmente, a genialidade de J.J. Abrams em adaptar o excelente roteiro de Roberto Orci e Alex Kurtzman, companheiros seus desde « Alias » e, atualmente, « Fringe », foi até onde nenhum outro homem poderia ir.

Com muita abnegação, o filme não apenas construiu as origens dos personagens James T. Kirk (Chris Pine) e Spock (Zachary Quinto), a evolução da sua relação até se tornarem amigos, e nos trouxe os tripulantes originais, como também desenvolveu uma história envolvendo a sempre temida viagem no tempo, que acabou criando na história um novo timeline. Bom, explicando pormenores, temos uma nave romulana vinda do futuro, conduzida por um certo capitão Nero (Eric Bana), que parece vir se vingar de Spock por alguma coisa. Ele destrói a nave da Federação sob o comando de George Kirk, pai de James T. Kirk. Passados mais de vinte anos, a nave volta a atacar, e temos uma mudança arrebatadora na história original, que acaba criando uma nova realidade, na qual teremos então as novas aventuras de « Star Trek ». Deu pra entender? Bom, o fato é que, viagens no tempo sempre me confundem a cabeça, mas a ideia é mais ou menos essa.

A inserção dos personagens originais na trama e a renião dos mesmos na Enterprise só corroboram o fato de que o ciclo se fecha com perfeição no filme. O jovem James T. Kirk, agora com 25 anos, é procurado por Pike (Bruce Greenwood) para que se aliste na Federação. Lá, ele encontra McCoy, a quem apelida de Bones (Karl Urban) e Spock. Logo no começo, o jovem Kirk se mostra o encrenqueiro e mulherengo que estávamos acostumados a ver na série, principalmente quando tenta se envolver com Uhura (Zoe Saldanha) e entra imediatamente em conflito com Spock ao vencer um de seus testes, valendo-se apenas do improviso, algo que o vulcaniano não aceita bem considerando sua lógica, e o acusa de fraudar o exercício.

Mas o ataque da nave romulana faz com que a Enterprise, sob o comando de Pike entre em ação. Kirk, suspenso por causa das acusações de Spock, acaba indo escondido, ajudado por McCoy. Os outros membros da tripulação original nos são apresentados, dentre eles, Sulu (John Cho) e Chekov (Anton Yelchin), com todas as suas características inerentes. Chekov, aliás, rende alguns dos momentos mais engraçados, tanto quanto Kirk com as reações aos medicamentos que lhe são ministrados pelo ainda inexperiente McCoy.

Bom, resumindo, Pike acaba sendo capturado, o planeta Vulcano é destruído, Spock assume o posto de capitão e entra novamente em conflito com Kirk, o qual tem um outro plano para abatar os romulanos, mas o vulcaniano o manda para um deserto gelado, onde, atacado por uma fera, é salvo por ninguém mais do que o Spock do passado, quer dizer, do futuro (Leonard Nimoy), que não apenas explica o motivo dos romulanos estarem ali, como o instrui como seguir adiante com a missão, revelendo, entre uma coisa e outra, o futuro no qual Kirk e Spock são grandes amigos. De volta à nave, Kirk, agora acompanhado de Scott (Simon Pegg), outro dos tripulantes originais da Enterprise, acaba desestabilizando Spock, a ponto dele mesmo renunciar o cargo, ao que Kirk assume o posto e, ao final, a missão acaba sendo bem sucedida com a ajuda de todos.

Fazendo ou não sentido, a ideia da mudança da realidade, com um novo timeline por causa da vinda da nave do futuro, fazendo com que Kirk se tornasse imediatamente capitão da Enterprise ao final, ao invés de primeiro comandar a Farragut, e já ter entre sua tripulação Chekov, que não faz parte da formação original, bem como a destruição do planeta Vulcano e a morte da mãe de Spock, acabou sendo uma boa forma de recomeçar a franquia. Provavelmente teremos histórias muito boas pela frente, e que de modo algum, por conta dessa narrativa deveras satisfatória, irá interferir ou prejudicar com o que já temos de « Star Trek », agradando aos antigos e aos novos fãs.

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Não menos importante, falar do elenco que compõe a tripulação da Enterprise nunca é demais. Chris Pine como Kirk parecia uma promessa que não seria cumprida, especialmente a julgar pela idade e pelo fato de não possuir uma grande bagagem. Preconceitos à parte, ele acabou fazendo bem seu papel, trazendo o que de melhor e de pior tinhamos do Kirk outrora interpretado por William Shatner. Já, Zachary Quinto como Spock, talvez por vir de uma série famosa da TV, que é « Heroes », na qual interpreta o temido vilão Sylar, e por terem sido divulgadas imagens suas como Spock antes da conclusão do filme, impressionando a muitos pela semelhança física com Leonard Nimoy como o personagem icônico, e dos mais adorados da saga, por óbvio, que não deixou nem um pouco a desejar, pois incorporou com verdadeiro empenho o cinismo inerente a Spock. Quando aos demais, Zoe Saldanha, Karl Urban, John Cho, Anton Yelchin e Simon Pegg como, respectivamente, Uhura, McCoy, Sulu, Chekov e Scott, mandaram todos muitissimo bem, e honraram com muito zelo seus predecessores. Alguns, obviamente, sobressairam-se mais do que outros, mas tivemos todos os membros originais da tripulação em suas melhores formas, e muito bem interpretados.

Resumindo, o filme foi ótimo. Espero que todos possam voltar para os próximos filmes, e que sejam muitos! Afinal, depois de um recomeço surpreendente como esse, o mínimo que se pode desejar é « Vida longa e próspera » à « Star Trek » e a todos os seus envolvidos!

Depois de assistir a « Star Trek », ficou a sensação de que J.J. Abrams foi mesmo para onde nenhum outro homem já foi…

Bom, talvez, exceto, por Martin Campbell e Christopher Nolan, já que parece estar mesmo em voga recomeçar a saga de grandes sucessos do cinema do passado. Aliás, a moda pegou de jeito. Campbell reiniciou a franquia do espião mais famoso da telona, James Bond, com o seu arrebatador « Casino Royale », com méritos também de Daniel Craig, que surpreendeu depois de várias chacotas públicas de que seria ele « o mais feio » dos agentes secretos da coroa britânica comparado aos seus ilustres predecessores (dentre os quais, Sean Connery e Roger Moore), que acabou rendendo uma continuação, « Quantum of Solace », de Marc Forster, fazendo os críticos maldosos pagarem com a própria língua pela boa receptividade do público quanto aos dois filmes.

Nolan, por sua vez, reiniciou a franquia « Batman » com os sucessos de « Batman Begins » e « O Cavaleiro das Trevas », filmes esses que nos mostram uma nova faceta do herói mascarado, e como nunca antes vimos, talvez apenas no quadrinhos, para verdadeiro delírio dos fãs, e acabou até mesmo se tornando motivo de interesse da Warner Bros. e sua afiliada DC Comics em também recomeçar a saga do Homem de Aço no cinema, já que o filme « Superman Returns », de Bryan Singer, não vingou pelo fato de não ter agradado o público em geral, segundo, pelo menos, o que dizem os tablóides especializados em rumores e notícias sobre o mundo do cinema.

Recomeçar cinesséries não é mérito apenas das grandes e mais caras franquias, pois recentemente também tivemos o relançamento da saga de Jason Voorhes com o novo « Sexta-Feira 13 », o qual, dizem, pois ainda não vi, é muito bom, e há rumores de que estão também trazendo de volta à vida os mortos dos filmes de George Romero!

Enfim, se for pra falar de tudo o que pretendem « rebootar » no cinema, vai ser um tópico que não acaba mais, de modo que, vamos logo ao que interessa…

Apesar de não ser o primeiro a recomeçar um grande sucesso do cinema, J.J. Abrams tem seus méritos. Afinal, trata-de se « Star Trek ». Ou seja, não é assim uma coisinha a toa, sem desmerecer os outros filmes e franquias em geral. Mas é « Star Trek », oras! Uma saga que anda por ai fascinando as pessoas há mais de 40 anos! E olha, embora eu tenha acompanhado muitos episódios da série de TV original pelas reprises do antigo canal Sci-Fi que por aqui era transmitido onde hoje é o Universal Channel, e tenha assistido a todos os filmes, com exceção dos seus derivados, dentre os quais, « The New Generation », « Deep Space Nine », « Voyager » e « Enterprise », que nunca me atrairam, não me considero uma « trekker » por assim dizer, mas sei que esse novo filme, com a promessa de recomeçar uma das histórias de ficção-científica mais aclamadas pelo público devia ser algo espetacular. E foi.

Assistir ao novo « Star Trek » foi uma experiência inefável. Mesmo eu, que sou muito leiga em vários aspectos da franquia original e da série de TV, notei referências deleitáveis e que cumpriram seu papel em homenagear uma saga tão bem construída. Claro, falando assim é até fácil. Seria basicamente injetar uma boa grana, e ter a genialidade de um diretor já consagrado no gênero ficção-científica como J.J. Abrams, que já vem fascinando desde algum tempo com as séries « Alias », « Lost » e « Fringe », e juntar retalhos do passado de « Star Trek » para construir uma boa trama. Mas não é só isso…

É fato notório que os fãs de « Star Trek » são dos mais exigentes. Sendo assim, surpreendê-los com um « reboot » da cinessérie não é uma tarefa que se constrói apenas trazendo os personagens que tanto amam na pele de novos e talentosos atores, ou fazendo referências ao universo de « Star Trek » e mandando ver nos efeitos especiais. Seria muito fácil se fosse só isso. O problema, por assim dizer, é que « Star Trek » vem rendendo boas histórias há mais de 40 anos, desde que a série de TV estrelou no outuno estadunidense de 1966, e depois com os filmes, e então seus derivados, apresentando ao público inúmeros outros personagens.

Para que o novo filme pudesse ser bem aceito, considerando que se trata do reinício da franquia, deveria então, creio eu, haver uma boa explicação para esses 40 anos de histórias que acompanhamos simplesmente deixarem de existir para dar azo às novas aventuras da Enterprise, claro, já levando em conta a hipótese de que continuações estão por vir. Afinal, por mais que tenha sido o filme um deleite visual, seja com os efeitos, e a performance dos atores que incorporaram muito bem os personagens icônicos, ficou a preocupação de que fosse apagado para sempre da história de « Star Trek » tudo o que os tripulantes da Enterprise viveram até agora.

Felizmente, a genialidade de J.J. Abrams em adaptar o excelente roteiro de Roberto Orci e Alex Kurtzman, companheiros seus desde « Alias » e, atualmente, « Fringe », foi até onde nenhum outro homem poderia ir.

Com muita abnegação, o filme não apenas construiu as origens dos personagens James T. Kirk (Chris Pine) e Spock (Zachary Quinto), a evolução da sua relação até se tornarem amigos, e nos trouxe os tripulantes originais, como também desenvolveu uma história envolvendo a sempre temida viagem no tempo, que acabou criando na história um novo timeline. Bom, explicando pormenores, temos uma nave romulana vinda do futuro, conduzida por um certo capitão Nero (Eric Bana), que parece vir se vingar de Spock por alguma coisa. Ele destrói a nave da Federação sob o comando de George Kirk, pai de James T. Kirk. Passados mais de vinte anos, a nave volta a atacar, e temos uma mudança arrebatadora na história original, que acaba criando uma nova realidade, na qual teremos então as novas aventuras de « Star Trek ». Deu pra entender? Bom, o fato é que, viagens no tempo sempre me confundem a cabeça, mas a ideia é mais ou menos essa.

A inserção dos personagens originais na trama e a renião dos mesmos na Enterprise só corroboram o fato de que o ciclo se fecha com perfeição no filme. O jovem James T. Kirk, agora com 25 anos, é procurado por Pike (Bruce Greenwood) para que se aliste na Federação. Lá, ele encontra McCoy, a quem apelida de Bones (Karl Urban) e Spock. Logo no começo, o jovem Kirk se mostra o encrenqueiro e mulherengo que estávamos acostumados a ver na série, principalmente quando tenta se envolver com Uhura (Zoe Saldanha) e entra imediatamente em conflito com Spock ao vencer um de seus testes, valendo-se apenas do improviso, algo que o vulcaniano não aceita bem considerando sua lógica, e o acusa de fraudar o exercício.

Mas o ataque da nave romulana faz com que a Enterprise, sob o comando de Pike entre em ação. Kirk, suspenso por causa das acusações de Spock, acaba indo escondido, ajudado por McCoy. Os outros membros da tripulação original nos são apresentados, dentre eles, Sulu (John Cho) e Chekov (Anton Yelchin), com todas as suas características inerentes. Chekov, aliás, rende alguns dos momentos mais engraçados, tanto quanto Kirk com as reações aos medicamentos que lhe são ministrados pelo ainda inexperiente McCoy.

Bom, resumindo, Pike acaba sendo capturado, o planeta Vulcano é destruído, Spock assume o posto de capitão e entra novamente em conflito com Kirk, o qual tem um outro plano para abatar os romulanos, mas o vulcaniano o manda para um deserto gelado, onde, atacado por uma fera, é salvo por ninguém mais do que o Spock do passado, quer dizer, do futuro (Leonard Nimoy), que não apenas explica o motivo dos romulanos estarem ali, como o instrui como seguir adiante com a missão, revelendo, entre uma coisa e outra, o futuro no qual Kirk e Spock são grandes amigos. De volta à nave, Kirk, agora acompanhado de Scott (Simon Pegg), outro dos tripulantes originais da Enterprise, acaba desestabilizando Spock, a ponto dele mesmo renunciar o cargo, ao que Kirk assume o posto e, ao final, a missão acaba sendo bem sucedida com a ajuda de todos.

Fazendo ou não sentido, a ideia da mudança da realidade, com um novo timeline por causa da vinda da nave do futuro, fazendo com que Kirk se tornasse imediatamente capitão da Enterprise ao final, ao invés de primeiro comandar a Farragut, e já ter entre sua tripulação Chekov, que não faz parte da formação original, bem como a destruição do planeta Vulcano e a morte da mãe de Spock, acabou sendo uma boa forma de recomeçar a franquia. Provavelmente teremos histórias muito boas pela frente, e que de modo algum, por conta dessa narrativa deveras satisfatória, irá interferir ou prejudicar com o que já temos de « Star Trek », agradando aos antigos e aos novos fãs.

Não menos importante, falar do elenco que compõe a tripulação da Enterprise nunca é demais. Chris Pine como Kirk parecia uma promessa que não seria cumprida, especialmente a julgar pela idade e pelo fato de não possuir uma grande bagagem. Preconceitos à parte, ele acabou fazendo bem seu papel, trazendo o que de melhor e de pior tinhamos do Kirk outrora interpretado por William Shatner. Já, Zachary Quinto como Spock, talvez por vir de uma série famosa da TV, que é « Heroes », na qual interpreta o temido vilão Sylar, e por terem sido divulgadas imagens suas como Spock antes da conclusão do filme, impressionando a muitos pela semelhança física com Leonard Nimoy como o personagem icônico, e dos mais adorados da saga, por óbvio, que não deixou nem um pouco a desejar, pois incorporou com verdadeiro empenho o cinismo inerente a Spock. Quando aos demais, Zoe Saldanha, Karl Urban, John Cho, Anton Yelchin e Simon Pegg como, respectivamente, Uhura, McCoy, Sulu, Chekov e Scott, mandaram todos muitissimo bem, e honraram com muito zelo seus predecessores. Alguns, obviamente, sobressairam-se mais do que outros, mas tivemos todos os membros originais da tripulação em suas melhores formas, e muito bem interpretados.

Resumindo, o filme foi ótimo. Espero que todos possam voltar para os próximos filmes, e que sejam muitos! Afinal, depois de um recomeço surpreendente como esse, o mínimo que se pode desejar é « Vida longa e próspera » à « Star Trek » e a todos os seus envolvidos!

De médico e louco todo mundo tem um pouco

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Se você ainda não assistiu ao final da quinta temporada de « House » e não quiser descobrir detalhes e informações que podem ser consideradas estraga prazeres, não leia adiante…

Com algumas semanas de atraso, assisti de uma sentada só aos três últimos episódios da quinta temporada de « House » e, posso dizer, com segurança, que não foi o final de temporada dos melhores.

Eu tinha parado de acompanhar a série semanalmente um episódio depois de « A Simple Explanation » (5.20), onde aconteceu o suicídio do personagem Lawrence Kutner (Kal Penn), naquele que considero um dos golpes mais sujos da história da série, e também no qual fiquei esperando a danada da « simples explicação » mencionada no título para a morte daquele que considerava meu personagem favorito na atual equipe de House. O fato é que, não houve a explicação, e tivemos que nos contentar em ver House (sempre brilhantemente interpretado por Hugh Laurie) tentar, porém em vão, descobrir os motivos que levaram o médico de sua equipe a se matar como se procurasse diagnosticar uma doença, e a conclusão de Wilson (Robert Sean Leonard), de que talvez não fosse algo a ser explicado.

A verdade é que o episódio só me deixou mais decepcionada com a série, que nessa temporada se mostrou tão fraca, com histórias cada vez mais voltadas a dilemas amorosos e centradas nos personagens mais sem graça, e mais irritada ainda com Chris Taub (Peter Jacobson), o qual considero o pior de todos da nova equipe ao lado de Thirteen (Olivia Wilde). Aliás, peço desculpas a quem gosta do personagem, mas acho que ele devia ter caído fora em « Here Kitty » (5.18), já que ali mesmo provou não gostar do que faz, ou então devia ter sido mandado embora de uma vez por todas em « Locked In » (5.19), episódio este que, embora deleitável pela participação de Mos Deaf, só serviu para mostrar o brilhantismo de Kutner na solução de um caso, e a bondade deste ao creditar a desvelação da doença que vitimava o paciente da semana a Taub só para que assim House não mandasse embora o amigo. Felizmente, House sabia o que o indiano estava fazendo.

Depois, assisti a « Saviors » (5.21) sem mais qualquer entusiasmo, afinal, o personagem que mais batia de frente com House na discussão dos casos e cujo humor era mais parecido com o dele tinha saído da série, e me deparei com algo inédito ao descobrir que a morte de Kutner não passou batida, como geralmente acontece em vários outras programas, onde personagens entram e saem, e aos que saem não resta uma migalha sequer da menção de seu nome, como se ao menos tivessem existido. Aparentemente, usaram a morte de Kutner para agravar o estado mental de House, que já não andava lá às mil maravilhas. Aliás, convenhamos, nunca esteve, prova de que por trás de uma mente brilhante sempre há uma certa loucura.

A grande surpresa em « Saviors », além de House começar a dar indícios de que perdeu seu « mojo », é a cena final, quando vemos o personagem principal alucinar com um membro antigo de sua equipe, e que assim como Kutner, bateu as botas de forma inesperada, porém, em « Wilson’s Heart » (4.16), a amada por muitos, e odiada por outros, Amber (Anne Dudek), alucinação essa, inclusive, que dá pano para a manga nos episódios seguintes.

Em « House Divided » (5.22), temos um dos episódios mais interessantes da temporada, talvez um dos melhores, quando House interage, claro, não descaradamente, com a alucinação de Amber, e descobre que ela nada mais é do que seu subconsciente, que se manifestou após a morte de Kutner. Assim, ele tenta solucionar um caso envolvendo um garoto surdo ao mesmo tempo em que toma partido nos preparativos para a despedida de solteiro de Chase (Jesse Spencer), atendendo aos palpites de sua alucinação, rendendo alguns dos melhores momentos da temporada. No final, descobrimos que a manifestação de Amber é mais perigosa do que aparenta, e House toma uma atitude drástica para se livrar dela.

O episódio « Under my Skin » (5.23) dá sequência aos eventos sucedidos no anterior, mostrando que House não conseguiu se livrar da alucinação de Amber, e tem agora que voltar para o hospital para tratar um novo paciente, muito embora seu desejo fosse o de manter distância dos casos até se livrar das visitas persistentes do ex-membro de sua equipe. É aqui que ele reconhece ter falhado com todas as suas tentativas de melhorar, e decide parar com o medicamento que o viciou por livrá-lo das dores musculares, com a ajuda inesperada de Lisa Cuddy (Lisa Edelstein). Os fãs de um envolvimento amoroso entre House e Cuddy provavelmente deliraram no episódio, pois tivemos um dos momentos mais românticos entre os dois na série, com a chefe do hospital ao seu lado, ajudando-o nos seus momentos de abstinência e, claro, um beijo arrebatador ao final.

Por fim, aquele que considero o episódio mais insano da temporada – e com isso não quero dizer que é totalmente ruim, mas sim, e felizmente, o último desse quinto ano, que só trouxe prejuízos depois de quatro temporadas muito boas – é « Both Sides Now » (5.24). A season finale mostra o dia seguinte à noite de dedicação total de Cuddy a House, e a manhã de amor entre os dois. Temos aqui um House como estávamos desacostumados a ver. Ele se mostra revitalizado, completamente livre de suas alucinações, e volta ao trabalho com muito dinamismo num caso que envolve um paciente com uma mão alienígena, que não responde aos seus comandos. Contudo, a grande preocupação do médico é o ponto final de Cuddy no relacionamento recém-iniciado. Como sempre, ele tenta diagnosticar o que considera um « problema » como se fosse mais um dos seus casos, e mais desta vez com a ajuda de seu fiel escudeiro, Wilson. Nesse meio tempo, temos ainda Chase e Cameron (Jennifer Morrison), que vivem o dilema do rompimento às vésperas do casamento quando esta decide não se livrar do esperma do falecido marido, a contragosto daquele.

Bom, quem assistiu a « Both Sides Now » sabe que quase o episódio todo não passou de uma grande piada sem graça, especialmente aos fãs do casal House/Cuddy. Não que eu seja um desses fãs, embora não nego o fato de que adoro os momentos de tensão sexual entre esses dois. Mas convenhamos que, se alguma coisa acontecer entre eles, é óbvio que a série perde o seu charme. Afinal, mais do que um lobo solitário, House é osso duro de roer, e qualquer romantismo o faz perder a graça (é só lembrar dos episódios em que ele e Stacey reataram), de modo que, se algum dia ele tiver que se envolver amorosamente com alguém na série, penso eu, terá que ser lá pelos episódios finais. Mas voltando ao episódio final, apesar de ter sido bacana pelos acertos finais entre Chase e Cameron (finalmente!), da cura do paciente da semana, e por não termos mais nenhuma morte na equipe de House, tivemos o nosso protagonista indo parar direto numa clínica psiquiátrica por causa das alucinações, agora, não apenas com Amber, como Kutner (aliás, a participação do Kal Penn valeu a pena nos instantes finais)? Como assim? E fica a dúvida… e agora? O que pretendem para o House no próximo ano? Tudo bem que foi até interessante a reviravolta final, especialmente porque ficou o tempo todo aquela sensação de que alguma coisa ruim ia acontecer, pois House estava muito bem na sua abstinência, e sabemos que Cuddy não ia agir tal como o fez depois daquela noite, e daquela manhã, e etc. O problema é saber agora como vai ser depois disso, e como pretendem justificar a volta de House ao exercício da medicina depois de tudo o que aconteceu!

Bom, sinceramente, acho que os finais das temporadas passadas foram muito mais interessantes que o dessa última, e a menos que comecem a sexta temporada de forma digna, como a série e o personagem principal merecem, eis que ainda há muito potencial em jogo, e com alguma teoria ou uma história bem convincente para sua recuperação e volta ao trabalho, vai ser difícil acompanhar mais um ano arrastado, ainda mais se não mudarem logo a equipe, que está totalmente desprovida de personagens interessantes e carismáticos. Só nos resta esperar por dias melhores na vida do nosso médico carrancudo favorito.

Meu Melhor Amigo

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« Tu és responsável por aquilo que cativas » (Antoine De Saint-Exupéry, em « O Pequeno Príncipe »).

Podemos todos contar nos dedos os nomes dos filmes que mais mexeram conosco, e ainda assim vão faltam alguns (filmes, dedos e talvez ambos). Para mim, « Mon Meilleur Ami » (conhecido por aqui como « Meu Melhor Amigo ») é exatamente um desses filmes.

O fato é que, não muito recentemente descobri o cinema francês, e antes disso eu o via com certo preconceito, já que em sua maioria os filmes franceses parecem ser tão pretenciosos e quase sempre sem alguma lição de moral, não que seja uma regra, no meu caso, assistir a um filme que deva necessariamente ter uma mensagem nele embutida. Volta a meia, gostamos de nos surpreender com algo inovador e com um final inesperado. Mas geralmente é isso mesmo que procuramos, o simples, o previsível, algo com o que podemos nos identificar e ainda assim tirar algum proveito, e não foi acaso que, em minhas andanças pela seção de filmes franceses de uma videoteca, encontrei « Mon Meilleur Ami », que segue a velha fórmula, mas com novos ingredientes.

Confesso que o filme chamou mais a atenção por conta do carisma e da versatilidade do ator que interpreta um dos personagens principais, qual seja, Daniel Auteuil, que já havia me conquistado por conta de suas performances em filmes como « Le Placard » (2001), « L’adversaire » (2002), « 36 Quai des Orfèvres » (2004) e « Caché » (2005), filmes esses, aliás, que fogem completamente do padrão a que estamos tão acostumados.

Em « Mon Meilleur Ami », temos uma narrativa simples, que poderia muito bem passar desapercebida ou ser equiparada à de filmes que costumávamos assistir nas sessões da tarde, mas que conduzida por um elenco carismático que não apenas inclui Daniel Auteuil, mas Julie Gayet e Dany Boon, e a direção de Patrice Leconte, aliado ao fato de se tratar de uma comédia como há muito tempo não se via, considerando que nos dias de hoje é o linguajar indecente que torna os filmes de comédia engraçados, e acaba conquistando o telespectador.

No filme, o personagem de Auteuil é François Coste, sócio de um antiquário. Apaixonado por objetos raros e antigos, ele é um exímio especialista em tudo o que diz respeito à arte. Logo no começo, temos uma cena em que François e sua sócia, Catherine (Julie Gayet), participam de um leilão de peças de colecionador, onde, por mero capricho, ele adquire para si um vaso egípcio de valor astronômico, o que acaba causando um confronto entre os dois.

No dia do aniversário de François, ele se reúne com alguns colegas para um jantar, e Catherine, ainda magoada com a aquisição por seu sócio do objeto que pode comprometer o antiquário, que já não anda faturando bem, acaba lançando ao vento a assertiva de que ele não tem um amigo de verdade. François ri, e diz que todos ali são seus amigos, mas acaba se surpreendendo quando estes lhe dizem que não o são. Ainda assim, ele alega possuir um verdadeiro amigo que nenhum deles conhece. Catherine então o desafia a apresentar-lhes esse seu verdadeiro amigo no prazo de dez dias, caso contrário ele deverá entregar o vaso, ao que François aceita o desafio.

Depois disso, temos uma sucessão de eventos engraçadissimos, que incluem um até então sempre carrancudo François se vendo desesperado atrás de alguém a quem possa creditar o título de amigo de verdade. Ele tenta se aproximar de pessoas que conversam em restaurantes e mesmo na rua para saber como se tornaram amigos, e acaba até mesmo passando pela vexatória situação de ter que comprar um livro para saber como fazer amigos, até que conhece o divertido, falante e carismático taxista Bruno Bouley (Dany Boon), aspirante a participante da versão francesa do programa « Quem quer ser um Milionário? ».

Determinado a ganhar a aposta com Catherine, François acaba pedindo ajuda ao taxista, sempre simpático e amigável com todos à sua volta, acreditando que este pode lhe ensinar os truques para conseguir fazer um amigo de verdade, embora nem mesmo Bruno pareça ter um. Mas François acaba descobrindo que as coisas não são tão fáceis como pensa quando percebe que não tem o menor jeito para aplicar a regra dos três « s » e que, segundo o taxista, « amigo verdadeiro é aquele para quem você pode ligar às 3:00 horas da manhã para pedir ajuda com um problema » (aliás, uma das melhores frases no filme).

E nessa busca desenfreada de François por um amigo de verdade que o filme segue, com surpresas engraçadas e muito agradáveis, bem como passagens memoráveis, como a conversa entre Bruno e Louise (filha de François), e mesmo a descoberta dos motivos pelos quais este não tem mais um amigo verdadeiro, tudo para ao final descobrirmos que amigo é aquele que conquistamos e com o qual podemos sempre contar, tal como pregado pelo taxista.

Bom, sou muito suspeita pra falar tão bem do filme, seja porque sou uma grande fã de Daniel Auteuil e sua interação com Dany Boon renderam momentos agradabilíssimos, seja pelo fato de que a narrativa me pegou totalmente desprevenida, por mais que eu soubesse do que se tratava a história, pois, enquanto assistia a « Mon Meilleur Ami », percebi que amigos de verdade são mais raros do que se imagina, e mantê-los nos dias de hoje, onde todos corremos contra o tempo e estamos sempre muito mais voltados para nós mesmos, é um grande desafio. Percebi também, ao assistir ao filme, que amigos estão mesmo longe de ser aqueles nossos meros contatos sociais e profissionais, as pessoas com quem tratamos no dia-a-dia, ou mesmo que encontramos casualmente através de outros contatos para sair de vez em quando num bar e falar um monte de besteiras, mas aqueles com quem podemos verdadeiramente contar nos nossos momentos mais difíceis, e que estão sempre presentes, seja para tomar um café agradável no meio de um duro dia de expediente, seja para dar uma volta num dia agradável de domingo. Enfim, Patricia Laconte soube mostrar magnificamente bem o que um amigo de verdade representa.